Africa
5 Mar 2018

Mulheres defendem a conservação do mangal na Nigéria

Um grupo da sociedade civil nigeriana, liderado por mulheres, está a mobilizar outras mulheres e a comunidade em geral, para a proteção das florestas de mangue, que são extremamente produtivas e de grande utilidade para ecossistema marinho e populações, mas estão a desaparecer na Nigéria.

O primeiro projeto de recuperação de mangais conduzido por mulheres já está a produzir resultados © Enobong Bassey
O primeiro projeto de recuperação de mangais conduzido por mulheres já está a produzir resultados © Enobong Bassey
By Jude Fuhnwi

Um grupo de mulheres trabalha incansavelmente para reverter as ameaças potencialmente fatais que as economias locais enfrentam na Nigéria, devido ao declínio das florestas de mangue, agora em risco de extinção — após décadas de degradação. A Sociedade de Apoio às Mulheres e Grupos Vulneráveis (SWOVUGE) está a ajudar as comunidades a recuperar e gerir de forma sustentável as florestas de mangue, nas cinco aldeias do Distrito Ukpom Okom no sudeste da Nigéria.

O Mangal da Comunidade de Ukpom, no Estado Akwa Ibom, é uma importante zona de reprodução e habitat de inúmeras espécies selvagens, tais como crocodilos, cágados, tartarugas, peixes, camarões, caranguejos, caracóis, ameijoas, e ostras. Também a subsistência da vasta população humana depende dos recursos desta riquíssima floresta de mangue.

Contudo, a falta de conhecimentos sobre métodos sustentáveis de gestão de recursos, dentro das comunidades, expôs o mangal a atividades que ameaçam a sua biodiversidade. A exploração excessiva dos produtos da floresta, inclusive a utilização as próprias árvores para lenha, na secagem de peixe ou na construção de canoas, reduziram os mangais a um ritmo alarmante. Algumas extensões de floresta de mangue foram também limpas, para urbanização, colocando em risco os recursos e benefícios económicos do ecossistema do mangal.

Coordenadoras dinamizam a ação das comunidades por toda a região © Enobong Bassey

Para a preservação dos recursos naturais do magal o Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) forneceu apoio financeiro à SWOVUGE através da BirdLife International, a sua equipa de implementação regional para o Hotspot das Florestas Guineenses da África Ocidental. Os fundos financiarão um projeto de recuperação de um mangal local.

O projeto mobiliza mulheres para a conservação da terra que assegura a sua subsistência.

Este projeto, financiado no âmbito do programa de Pequenos Subsídios, e denominado «projeto de plantação de árvores e recuperação do Mangal da Comunidade de Ukpom-Okon, na Nigéria» mobiliza mulheres para a conservação da natureza de que dependem para subsistir.

«A Nigéria não tem zonas de mangal oficialmente protegidas. Para além do projeto em curso, não houve, no país, qualquer outra iniciativa conduzida por mulheres para a recuperação do mangal, que beneficiasse de apoio internacional», disse Emem Umoh, coordenadora do projeto.

Foram criados dois viveiros, onde foram já plantadas mais de 400 árvores © Uduak Hans

Há pelo menos sete mulheres em primeira linha, a trabalhar com as comunidades e a coordenar todas as atividades relacionadas com o projeto, para se assegurarem de que toda a população das cinco aldeias beneficiará do projeto, durante o seu ciclo de dois anos, dando especial atenção as beneficiárias do sexo feminino. Mais de 330 mulheres foram diretamente abordadas através de diversos workshops, organizados em várias comunidades, para sensibilização da população sobre a importância do plantio de árvores e recuperação do mangal.

«Sugerimos-lhes que encorajem outras mulheres a participarem em atividades do projeto», disse a menina Umoh.

«Só agora tomei consciência de que o abate indiscriminado de mangais poderá comprometer os recursos naturais, se não forem plantadas novas árvores para substituir as que foram abatidas», explicou-nos Christiana Akpan, de 53 anos, líder de um grupo de mulheres da comunidade Ikot Etegne, que esteve presente num dos workshops de sensibilização.

Em pouco mais de nove meses, após o lançamento do projeto, mais de 400 árvores foram plantadas em zonas chave e mais de 600 marcadas para distribuição a mulheres, nas comunidades, como parte do esforço para promover a prática agroflorestal. Foram criados dois viveiros em duas comunidades, para a cultura do mangue da espécie Rhizophora, onde foram plantadas cerca 400 plântulas.

 

 

A equipa de implementação regional (RIT) das Florestas Guineenses da África Ocidental (GFWA), é um projeto da BirdLife International, financiado pelo Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF). O RIT é responsável pela gestão dos investimentos do CEPF (2016-2021) nos 11 países do Hotspot das Florestas Guineenses da África Ocidental.

O Fundo de Parceria para Ecossistemas Críticos (CEPF) é uma iniciativa conjunta da Agence Française de Developpement, Conservation International, da União Europeia, do Fundo Mundial para o Ambiente (GEF), do Governo do Japão, da Fundação MacArthur, e do Banco Mundial e um dos seus propósitos fundamentais é garantir o envolvimento da sociedade civil na conservação da biodiversidade.